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Novo método promete alívio dos efeitos colaterais adversos da medicação antipsicótica:

Atualizado: Fev 5


Uma equipe de neurocientistas e engenheiros da Universidade McMaster, no Canadá, criou um spray nasal para fornecer medicamentos antipsicóticos diretamente ao cérebro, em vez de fazê-los passar pelo corpo.


O salto na eficiência significa que pacientes com esquizofrenia, transtorno bipolar e outras condições podem ver suas doses de medicamentos antipsicóticos poderosos cortadas em até três quartos, o que deve poupá-los de efeitos colaterais às vezes debilitantes, ao mesmo tempo em que reduz significativamente a frequência de tratamento.


O novo método fornece medicamentos em spray que chega ao cérebro diretamente pelo nariz, oferecendo aos pacientes maior facilidade de uso e a promessa de melhor qualidade de vida, incluindo um tratamento mais confiável e eficaz.


Ram Mishra, professor do Departamento de Psiquiatria, Neurociências e Comportamento e Co-Diretor da Escola de Engenharia Biomédica de McMaster, e Todd Hoare, Presidente de Pesquisa do Canadá e Professor de Engenharia Química, descrevem suas pesquisas em um artigo recém-publicado no periódico científico Journal of Controlled Release.



Eles e seus co-autores Michael Majcher, Ali Babar, Andrew Lofts e Fahed Abuhijleh provaram o conceito de seu novo mecanismo de entrega em ratos, usando PAOPA, um medicamento comumente prescrito para tratar esquizofrenia.


Um problema para pacientes que usam medicamentos antipsicóticos, explica Mishra, é que tomá-los por via oral ou por injeção significa que os medicamentos devem passar pelo corpo antes de chegarem ao cérebro através do sangue.


Para ter certeza de que medicação oral ou injetável suficiente chega ao cérebro, o paciente deve tomar muito mais do que o cérebro receberá, levando a efeitos colaterais adversos às vezes graves, incluindo ganho de peso, diabetes, distúrbios do movimento e danos aos órgãos ao longo do tempo prazo.


Quando administrado pelo nariz, o medicamento em spray pode entrar no cérebro diretamente pelo nervo olfatório.


Mishra e seu colaborador Rodney Johnson, da Universidade de Minnesota, haviam criado anteriormente uma forma solúvel em água do medicamento, que foi usada na pesquisa atual.



A nova forma que eles criaram era mais fácil de manipular, mas ainda faltava um veículo eficaz para levá-la ao cérebro. Um problema particular era que os medicamentos administrados pelo nariz normalmente são eliminados do corpo rapidamente, exigindo uma readministração frequente.


Todd Hoare, nesse ínterim, vinha trabalhando com um parceiro industrial para desenvolver o uso de nanopartículas microscópicas de amido de milho para aplicações agrícolas.


Os dois cientistas, que trabalham no mesmo campus, se reuniram depois que pesquisadores em seus laboratórios se encontraram em uma conferência interna.



A equipe de engenharia conseguiu ligar o medicamento às nanopartículas de amido de milho que, quando pulverizadas junto com um polímero natural derivado de caranguejos, podiam penetrar profundamente na cavidade nasal e formar um gel fino no revestimento de muco, liberando lentamente uma dose controlada da droga, que permanece eficaz no tratamento dos sintomas da esquizofrenia por três dias.



"As nanopartículas de amido de milho que estávamos usando para uma aplicação industrial eram o veículo perfeito", diz Hoare. "Eles são derivados naturalmente e se decompõem com o tempo em açúcares simples. Precisamos fazer muito pouca química com eles para fazer essa tecnologia funcionar, então são ótimos candidatos para usos biológicos como este."


A liberação gradual significa que os pacientes só precisariam tomar a medicação a cada poucos dias em vez de todos os dias ou, em alguns casos, a cada poucas horas.


Fonte:McMaster University/MedicalXpress.


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