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Existe uma ligação entre COVID-19 e a doença de Parkinson?


Desde o início da pandemia de COVID-19, os cientistas continuaram a pesquisar informações sobre como o SARS-CoV-2 afeta o corpo.


Até agora, pesquisadores e profissionais de saúde sabem que os efeitos se estendem além do sistema respiratório. O SARS-CoV-2 pode impactar outros órgãos, incluindo o coração, o cérebro, os rins e a pele.


Em novembro de 2020, um artigo publicado no The Lancet Neurology, relatou que até 65% das pessoas com COVID-19 experimentaram hiposmia, uma perda ou alteração no sentido do olfato, que também é um sintoma da doença de Parkinson.


O mesmo artigo relatou três casos de pessoas com sintomas semelhantes aos do Parkinson após uma infecção por SARS-CoV-2, embora não tivessem fatores de risco conhecidos para a doença.


Esses incidentes fizeram os cientistas questionarem se há uma ligação entre o SARS-CoV-2 e a doença de Parkinson ou sintomas semelhantes aos da doença.


A doença de Parkinson é uma condição neurológica. Seus sintomas aparecem lentamente e progridem com o passar do tempo. Os sintomas incluem tremores, rigidez e dificuldades de equilíbrio, caminhada, fala e coordenação.



Como a doença afeta o cérebro, as pessoas com Parkinson também experimentam mudanças comportamentais, problemas de memória, problemas de sono e fadiga.


Relatos de sintomas semelhantes aos de Parkinson em pessoas com gripe fizeram alguns cientistas especularem se poderia haver uma causa viral de alguns tipos de parkinsonismo.


Os cientistas avaliaram dados sobre vírus, incluindo influenza, vírus herpes simplex 1, Epstein-Barr, varicela zoster, hepatite C, encefalite japonesa, vírus do Nilo Ocidental e HIV.


Os pesquisadores especulam que o parkinsonismo pode, raramente, ocorrer em infecções graves de influenza por causa do processo inflamatório associado à resposta imunológica do corpo a ameaças virais.


Isso leva alguns a acreditar que pode haver uma ligação entre o parkinsonismo e as infecções por outros vírus, incluindo o SARS-CoV-2.


Os cientistas desenvolveram três teorias sobre os mecanismos que podem estar envolvidos no aparecimento do parkinsonismo após uma infecção por SARS-CoV-2. Eles descrevem suas hipóteses na revista Trends in Neurosciences.


Primeiro, o SARS-CoV-2 é conhecido por causar complicações vasculares no cérebro e em outros órgãos, e os cientistas sugerem que esse processo pode prejudicar as vias cerebrais. Esse dano é semelhante ao que acontece durante a progressão do parkinsonismo vascular.



Em segundo lugar, porque há uma associação conhecida entre inflamação e um risco aumentado de doença de Parkinson, a inflamação causada pela resposta imune a uma infecção por SARS-CoV-2 pode potencialmente desencadear o parkinsonismo.


Estudos também demonstraram que algumas pessoas com COVID-19 têm níveis elevados de interleucina-6, uma proteína do sistema imunológico, bem como interrupções na via da quinurenina. Ambos são mecanismos associados à doença de Parkinson.


Além disso, a natureza neuro invasiva do SARS-CoV-2 pode contribuir para uma possível associação entre o COVID-19 e o parkinsonismo.


Enquanto isso, algumas pesquisas sugerem que a progressão da doença de Parkinson pode começar no sistema olfatório, de onde se origina o sentido do olfato. Como o COVID-19 pode apresentar perda de olfato e paladar, os cientistas se perguntam se o SARS-CoV-2 pode obter acesso às mesmas vias cerebrais associadas à doença de Parkinson.


Os pesquisadores também levantam a hipótese de que uma infecção por SARS-CoV-2 pode revelar a doença de Parkinson que ainda não se tornou sintomática. Como alternativa, a infecção pode iniciar a progressão da doença em pessoas geneticamente propensas a ela.



Embora experimentar parkinsonismo durante uma infecção por SARS-CoV-2 seja atualmente muito raro, os cientistas dizem que o aparecimento desses sintomas em relação ao COVID-19 merece uma exploração mais aprofundada.


Eles recomendam um monitoramento cuidadoso para sintomas semelhantes aos de Parkinson em um grande grupo de pessoas com COVID-19. Determinar se existe uma ligação entre o parkinsonismo e o COVID-19 pode ajudar os cientistas a entender melhor os problemas de saúde e desenvolver tratamentos mais eficazes.


No momento, ainda há muito a aprender sobre uma possível conexão entre o COVID-19 e o parkinsonismo, e os cientistas estão apenas começando a investigar esse fenômeno raro e pouco compreendido.


Autora: Kimberly Drake Fonte: MedicalNewsToday.

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